Now Playing Tracks

Tirei as cinco presilhas que havia usado pra segurar o cabelo no alto. Algumas coisa tinha que ficar alto do chão em mim. Uma a uma, todos enroladas no cabelo como os problemas na minha vida. De cabeça baixa, sentia os fios puxando, algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto, outras caiam direto no chão, não era a dor na cabeça que me doía, não era as presilhas enroladas, nem o cansaço físico ou a porção de trabalhos atrasados no lado esquerdo da cama.

Era aquela sensação de saber que você esta amando mais do que deveria. Aquela sensação que todo mundo sente quando percebe que ama por dois, quando percebe que percebe mas não quer perceber. É aquela sensação estranha de dormir esperando uma palavra sequer, e ela não vir. É saber que hoje você tem companhia mas amanhã não vai ter, saber que não são as suas necessidades que importam, e que não são por elas que a outra pessoa se importa com você. É pensar em um dia feliz, e lembrar que até mesmo nesses você deita a cabeça no travesseio e torce pra outro dia não ser uma merda. E torce mais ainda para não ser tratada como uma. 

1 2 3… Vou contar mais uma vez. 

Olhe, acorde, pense menina. 1 2 3 olha no espelho.

Não!

Abra a janela, levanta cedo, corre na calçada, arruma esse cabelo. Me beija. 

Escute, é sua musica favorita tocando, ande, coma, fuja, beba…

Não!

1 2 3, venha cá menina, veja, é sua vida passando lá fora. Ame, abrace, viva, respire… Fundo. 

Não.

Você esta sufocando, respire menina. Respire agora. Tira esse travesseiro do rosto, joga esse cabelo colorido pra trás, não sofra hoje. Não. Hoje não. Ainda não.

Não, não, não… Mais uma vez, não. 

Tente novamente e novamente, vou contar mais uma vez. 

1 2 3… Cresça menina. 

Cresça. 

Olhei, mais uma vez aquele rosto fixo antes de descer do carro. Descer talvez, pela ultima vez. Sobre uma luz quase insignificante, dei a ele talvez, o ultimo abraço. Senti o cheiro subindo da nuca e impregnando nos pelos do meu nariz, isso, somente isso, tinha a mais convicta certeza que não se acabaria no mesmo instante. Eu não queria solta-lo, não assim, não naquela noite, não naquele momento. Respirei fundo e engoli com dificuldade a lágrima que já vinha beirando a saída mais sensata, desviei o olho, virei as costas e sai. Naquele momento pensei que não estivesse saindo apenas do carona, mas da vida de alguém a quem gastará algumas das melhores horas da minha vida. Melhores horas, melhores conversas, melhor beijo. Saindo da vida, do telefone, e do coração de um futuro amor perdido, virando as costas pra mais uma daquelas oportunidades que só se ganha uma vez na vida. Fui em direção a entrada da minha casa. Sabia que ele olhava pelo retrovisor, sabia que assim como eu ele sentiu nostalgia no primeiro passo que dei em direção contraria. Enquanto pensava nisso, pensava em como dizer adeus era difícil, em como era desnecessário dizer adeus, e em outras mil coisas que me traziam vontade de voltar pra aquele espaço quente e agradável que se fazia entre os braços dele. Pensava em marcha ré. 

Mas eu não podia. Aquilo tudo, aquela situação toda não vinha como resultado apenas das minhas ações, não era uma escolha minha. Não dessa vez. Ambos haviam escolhido caminhos opostos, haviam pulado de um precipício usando um guarda-chuvas como paraquedas. Ambos sabiam que estavam fazendo merda besteira e mesmo sabendo, ambos, não tinham coragem o bastante pra jogar a mochila no chão e encarar aquela situação. Erguer a cabeça e lembrar ao mundo que eles mesmos eram os donos do próprio nariz, tanto quanto eram donos daqueles corações desencorajados. Não apenas eu, mas ele também já demostrou varias vezes sinais de arrependimento. Arrependimento previsto no dia em que a despedida forçava uma falsa honestidade. 

Covardes inconsequentes. 


Hoje eu tive medo
De acordar de um sonho lindo
Garantir reter guardar essa esperança
Ando em paraísos descaminhos precipícios
Ao seu lado vejo que ainda sou uma criança
Sensível demais eu sou um alguém que chora
Por qualquer lembrança de nós dois
Sensível demais você me deixou e agora
Como dominar as emoções
Quando vem á tona todo amor que esta por dentro
Chamo por teu nome em transmissão de pensamento
Longe a tua casa vejo a luz do quarto acesa
Não tem nada que não vaze que segure essa represa
Sensível demais eu sou um alguém que chora
Por qualquer lembrança de nós dois
Sensível demais você me deixou e agora
Como dominar as emoções…


- Christian e Ralf

Ele lá, eu cá.

Olhei pra aquela tela de computador, como se esperasse sair dali as mais brilhantes soluções pros meus problemas.

Por alguns segundos procurei vestígios de qualquer tipo de felicidade que fosse saindo dali. Nada. Nenhuma! Sabia que aquila coisa podre toda, havia mais trazido dores do que prazeres. Atualizei a tela mais uma vez meio que no automático, meio que esperando algo me surpreender. Nada!

Olhei pra foto dele no canto da tela, mais precisamente disponível pra pessoas que, assim como eu não tinham lá dias cansativos que fazia a noite se deitar mais cedo. Ele não falava comigo, eu não falava com ele. Não ali! Não nessas horas. Todas as noites eram assim, ele lá, eu cá, dois desconhecidos-conhecidos, que arrumavam um tempo pra se sentirem confortáveis sem os olhos analíticos um do outro. Eu, na mais certeza que ele estava se sentindo melhor assim do que antes, que estava mais seguro do que antes, e que estava mais orgulhoso do que antes, olhava fixamente aquela foto como que desvendando todo o disfarce que ele demorará meses para criar. 

Olhos azuis, cabelos claros e longos, estudava as mesmas coisas, em sabias e calculadas palavras vindo da boca de um homem cuidadoso “Uma garota gente BOA”, de repente, conversar com ela ficou mais interessante que conversar com outra que vivia com o pé esquerdo em uma cidade, e o direito em outra. Ficou mais interessante virar a madrugada conversando com ela, e com e amiga dela. Ficou mais leve conversar com alguém que não dividia seus problemas reais, uma família desestruturada, uma casa de aluguel, e uma vida toda de colégio publico. Não era difícil saber porque ela. e não tantas outras. Porque ali era mais ego do que amizade. Era mais interesse camuflado que simplesmente conversas sobre a faculdade. Era divertido pra ele depois de tanto tempo dividindo tudo com uma pessoa só, passar a trocar sms de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, e começar tudo de novo. Depois de tanto tempo não chamando a atenção de ninguém, era um orgasmo pra ele obter diariamente a atenção de alguém, que ele, considerava atraente demais pra não tentar nada. 

Tentei desviar o olhar daquela foto, que no fim das contas trazia nada mais que náuseas e insonia. Desliguei aquele computador como se esperando uma libertação. Tentando me convencer de que tudo não passava de aboboras na cabeça. Era difícil pra mim aceitar que ele não se importava com a hora de dormir, nem a de acordar, que estava ali, disponível, pra qualquer uma. Ou pra uma em especial. Era difícil pra mim aceitar que a vaidade vinha tomando conta do ser lindo que ele costumava ser; Que passava mais horas na frente do computador do que comigo, mais horas na frente do espelho; antes de sair pra uma aula de todo dia ou mais ainda, pra aula de sábado que em outros tempos ele odiava. Era difícil ver o olhos dele procurando pessoas especificas na cantina, complicado, saber que todo e qualquer passo que ele dava agora, era pensando em surpreender alguém que não fosse a mim. Ver a maneira humilhante com ele se propunha a me cuidar, me ignorar, e a chamar atenção de alguém a mais, tudo ao mesmo tempo. Agora, nesses últimos tempos, é difícil olhar pra ele e perceber aquele olhar de comparação. De quem me compara com a fulana, ou o ciclano. Na maioria das vezes olhar de quem reprova o que tem. 

Eu amava a maneira como ele olhava pra mim. Como se nada no mundo fosse melhor ou mais importante que eu. Como se ele não se importasse com o resto do mundo.

Nos últimos tempos tenho me sentido um lixo. Indiferente, inconveniente. Insuficiente sobretudo. Insuficiente, é uma palavra que dói. Dói saber que você não é (mais) o bastante pra alguém que, falando mais claramente é alguém que você ama. Dói saber que existe uma diferença entre a pessoa que esta com você, e a mesma pessoa quando esta longe. Dói saber que seus esforços e sua gratidão não são mais dignos de consideração. Dói, simplesmente dói. Sufoca. Deixa aquele nó chato no esôfago. A admiração morre e no lugar dela deixa o cansaço.

Me culpo. Na maioria das vezes. Penso que poderia ter feito tantas coisas de maneira diferentes, penso que poderia ser melhor, penso que falhei. As vezes penso que o perdi. As vezes penso que ele me perdeu. As vezes penso que mereço essas duvidas mastigando meu cérebro, as vezes penso que suportando tudo, estarei redimida de qualquer erro de tenha cometido.

Contudo, penso que todo ser humano, independente do lado que estiver, tem seu limite. Tem aquela vontade louca de abrir a janela e deixar ar novo entrar. Penso que talvez ele tenha em algum momento chegado no limite dele, e penso que assim como ele, eu vou chegar no meu. 

E hoje foi assim… A nostalgia tomou conta de mim.

A mesma nostalgia que volta de tempo em tempos trazendo lembranças absurdas de detalhes insignificantes que já não convêm serem lembrados. 

Foi difícil pra dormir, senti sua falta. 

Não de você corpo presente, mas da parte doce e inocente de você. Da parte que de pouco em pouco vejo esvaindo no que você chama de dignidade. 

Impossível nunca se sentir assim, sua diferença pra minha, é que você, não fala. Cala. Ou simplesmente não sente. 

Certa vez ouvi dizer que algumas pessoas são mais sensíveis ao mundo que outras, essas por sua vez devem mostrar as demais coisas que elas não conseguem ver. Eu, por mais loucura que seja sei que vejo tudo muito mais afundo do que realmente é. E talvez, você nunca entenda. Tentando me justificar ou não, vejo mais, lembro mais, e sonho mais. Como diz o verso “eu sou um poço de sensibilidade”. Lembro detalhes das nossas conversar, lembro dos seus elogios que embora em sua maior parte sejam os mesmos, são pronunciados no automático, no racional. Sonho que tudo seja sempre como é no inicio. O inicio sempre me parece tão perfeito… 

Sei como é, você ler tudo isso, ver isso ou aquilo, analisar tudo e não entender nada, e pensar que você já foi apaixonado pela minha loucura. Eu apenas sinto falta da parte de você que não olhava pro lado, da parte de você que o tempo ou sei lá que diabos levou. Então, é assim mesmo que as coisas são? Sem promessas, sem gratidão? O gosto simplesmente diminui, destila? 

Quando olho nos seus olhos, e vejo o meu reflexo incompreendido, eu paro e penso… Eu amava o jeito que você olhava pra mim. 

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